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Gordura no fígado acomete milhões de brasileiros

29/09/2015

Maior órgão maciço humano, o fígado é a central elétrica do corpo. Entre as suas mais de 500 funções, está a importante tarefa de receber nutrientes do intestino e devolver ao sangue as produções das células. Glicose e glicogênio, que dão origem à produção de energia necessária à vida, são um exemplo. A rica vascularização do órgão e o tamanho dele fizeram com que, nos primórdios da medicina, ele chegasse a ser confundido com o coração. Tamanha importância também faz do fígado um órgão sensível. Há várias doenças que o acometem, agudas e crônicas.

O álcool é, sim, a principal ameaça. Causa lesões hepáticas que evoluem para a cirrose e, dessa, para a necessidade de transplante.

Mas, para quem pensa que esse é o único vilão do fígado, vai o alerta: é preciso ter atenção com a hepatite e com a doença hepática gordurosa não alcoólica, principal causadora da esteatose. Caracterizada pelo acúmulo de gordura no interior das células do fígado, a esteatose pode ser causada também por hepatites, abuso de álcool e uso de medicamentos. A maioria dos pacientes tem apenas o acúmulo de gordura nas células, mas até 30% dos casos podem evoluir para esteatoepatite não alcoólica, cirrose e câncer de fígado.

Pesquisa recente sugere que 30% dos adultos tenham esteatose, doença hepática mais prevalente em todo o mundo. “O número é tão alarmante que a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) acaba de definir um consenso nacional sobre a doença. Trata-se de uma epidemia mundial. Precisamos chamar atenção porque é uma enfermidade silenciosa, que não causa sintomas”, alerta Edison Roberto Parise, presidente da entidade.

Obesidade visceral, pré-diabetes, diabetes, baixa do bom colesterol, alta do triglicérides, pressão alta, aumento da circunferência da cintura e síndrome metabólica podem denunciar o problema. Segundo o hepatologista e gastroenterologista João Galizzi Filho, testes de função hepática em exames de sangue são inespecíficos, mas o ultrassom é capaz de mostrar se existe uma esteatose significativa.

A doença tem causa genética e é agravada pelo estilo de vida sedentário e pela má alimentação, com a grande ingestão de carboidratos e gorduras saturadas. Obesidade e diabetes são os principais fatores associados. Nessas condições, a esteatose pode atingir 70% dos indivíduos. Ela também é mais frequente em pessoas na faixa dos 40 a 50 anos, mas vem crescendo entre os adolescentes em função do estilo de vida sedentário e por causa do abuso de anabolizantes.

Mas, corrigindo as causas, é potencialmente reversível. “Precisa modificar hábitos alimentares, perder peso e fazer atividade física regular e moderada, principalmente as aeróbicas”, ensina Galizzi.

Seguindo essas recomendações, além de reverter a esteatose, o paciente ganha em qualidade de vida, já que muitos sofrem de apneia do sono, além de reduzir o risco cardiovascular e o de progressão para o diabetes. Quanto maior a adesão ao novo comportamento, melhor o resultado na diminuição da gordura depositada no fígado.

Já em fase avançada da esteatose, precisa-se recorrer aos sensibilizadores de insulina e aos medicamentos citoprotetores e antioxidantes. Para os obesos mórbidos, a cirurgia bariátrica é opção. “De 80% a 90% da população adulta com obesidade mórbida tem esteatose”, explica Edison Parise. Casos mais avançados podem exigir transplante.

 

União perigosa

Novos tratamentos estão sendo desenvolvidos no combate à doença, mas, segundo Parise, apesar de ser um problema sério de saúde pública, ainda não são destinados recursos financeiros necessários para a divulgação e os cuidados. Descoberta a esteatose, o presidente da SBH ressalta a importância de se investir na prevenção do diabetes e das doenças cardiovasculares. Segundo João Galizzi Filho, diabéticos têm cerca de 65% a 80% de chances de ter também a esteatose, que pode evoluir para câncer de fígado.

 

Fonte: Correio Braziliense

Dr. Evilásio Farias da Policlínica Taboão

Em Taboão da Serra - SP