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Seca favorece para mais casos de chikungunya

09/10/2015

As febres chikungunya e zika vírus trazem diversas preocupações para o país. Uma delas pode estar relacionada à crise no abastecimento de água em diversos estados brasileiros, que pode facilitar a proliferação do mosquito Aedes aegpyti, transmissor das duas doenças, embora não haja ainda uma comprovação científica sobre isso, diz Rivaldo Venâncio da Cunha, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e pesquisador da fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Ao participar do 32º Congresso Brasileiro de Reumatologia, Cunha disse que a proliferação do mosquito e o consequente aumento dos casos preocupam, em primeiro lugar, por que são doenças relativamente novas no país. “Portanto, a rede de saúde e os profissionais de saúde ainda não estão habituados a identificar esses casos. E preocupa também porque a inexperiência clínica para lidar com esses casos tem dificultado o diagnóstico precoce. "E uma das razões, especialmente em relação ao chikungunya, que podem contribuir para uma evolução desfavorável ou crônica é justamente o diagnóstico tardio”, alertou o pesquisador.

Segundo Cunha, outro fator que preocupa é que as doenças são transmitidas pelo mesmo mosquito, que também transmite a dengue, e existe em milhares de cidades no país. "Conhecemos as condições ambientais nas quais o mosquito prolifera. E a associação com as dificuldades no abastecimento de água tem contribuído, aparentemente, para a proliferação, haja vista o que tem acontecido na Região Sudeste, como um todo, em relação à dengue.”

Rivaldo Cunha diz que é difícil saber quantos casos de chikungunya ou de zika existem no país, porque apenas uma parcela é de fato notificada e confirmada. “O chikungunya, em algo como seis meses [de infestação] no Caribe, atingiu mais de 40 países e territórios e cerca de 1,7 milhão de casos. Alguns países do Caribe, como Martinica, já notificaram 100 mil casos em uma população de cerca de 400 mil habitantes, ou seja, um quarto do país está acometido pela doença. Se olharmos o que está acontecendo ao nosso redor, a probabilidade de que venha a ocorrer também no Brasil uma explosão [de chikungunya], como já acontece com a dengue, é razoável.”

Segundo Cunha, existe inclusive a possibilidade de que já estar em curso no país uma explosão do zika vírus, sem que se saiba disso.

Ele explicou que isso pode ocorrer porque a zika pode ser confundida com dengue. "Pode ser que nesse 1,5 milhão de casos de dengue notificados este ano no Brasil, haja algumas dezenas ou centenas de milhares de casos que não são dengue, mas zika”, disse o professor, que estima os casos de zika entre 150 mil e 200 mil. “São aqueles casos que praticamente não tiveram febre e começaram com quadro de vermelhidão e coceira”, explicou ele, para diferenciar da dengue, cujo sintoma, em geral, é relacionado a febre alta.

Embora transmitidas pelo mesmo mosquito, a dengue e a zika vírus são provocadas por vírus diferentes. O nível de gravidade também é diferente. “A dengue, em geral, é mais grave que a zika porque a provoca a morte em maior  frequência. A ação do vírus no organismo é diferente”. Só pelo sintoma não seria possível diferenciar uma doença da outra, apenas pelo diagnóstico, destacou Cunha. O problema é que o diagnóstico da febre zika não está disponível em toda a rede pública de saúde, podendo demorar até três ou quatro meses para o caso ser identificado. “Às vezes mais, até seis meses, aguardando o resultado da sorologia para chikungunya ou zika.”

Segundo o pesquisador, no entanto, isso não decorre de falha do governo, mas do fato de se tratar de doenças ainda novas no país.

 

Fonte: EBC

Dr. Evilásio Farias da Policlínica Taboão

Em Taboão da Serra - SP