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Dormir bem. Promessa para uma saúde melhor

17/10/2015

Seu médico certamente já lhe disse: para proteger seu coração, você deve parar de fumar, fazer exercício físico, beber moderadamente e comer de forma equilibrada. Mas você sabia que a quantidade e a qualidade de seu sono desempenham um papel fundamental na saúde de suas artérias?

Na verdade, os marcadores de doenças cardiovasculares são mais comuns em pessoas que não dormem o suficiente ou dormem mal. É o que acaba de demonstrar um estudo publicado em 10 de setembro na revista da Sociedade Americana de Cardiologia - Thrombosis and Vascular Biology.

Neste experimento, pesquisadores sul-coreanos realizaram testes para detectar a taxa de cálcio nas coronárias (que é um marcador de lesões coronárias iniciantes) e medir a rigidez arterial em mais de 47.000 jovens e adultos de meia idade, vindos para exames  de saúde. Estes últimos também responderam um questionário sobre seu tempo e sua qualidade de sono.

As conclusões são claras: as pessoas que dormem menos de sete horas por dia têm artérias mais rígidas e uma taxa de cálcio 1,5 vezes mais elevada que pessoas que dormem mais de sete horas por noite. Os parâmetros estavam também identificados em pessoas que relataram um sono de má qualidade.

 

Efeitos perniciosos

Estes resultados não surpreendem especialistas do sono. "Hoje, temos uma literatura consistente e considerável a qual mostra que uma qualidade de sono curta e ruim aumenta o risco cardiovascular", disse o professor Jean-Louis Pépin, professor de fisiologia e chefe da unidade de pesquisa do Hospital Universitário Grenoble.

Mas os efeitos perniciosos da privação de sono não atingem somente o coração. "Toda a fisiologia do corpo humano é perturbada: o sistema imunológico, a produção hormonal, o metabolismo glicídico… Está tudo errado", explica a doutora Karine Spiegel, do centro de pesquisa em neurociência de Lyon.

Por exemplo, a leptina,  um hormônio que provoca a saciedade, diminui a grelina que estimula o aumento do apetite. Estas variações geram o aumento de fome com uma atração por alimentos doces e gordurosos.

Em uma pessoa que dorme quatro horas por dia, a fome é aumentada em 25 % depois de dois dias. "Extrapolando, isso resultaria em um excesso de ingestão calórica de 400 a 500 calorias por dia. O que após um ano, em um jovem adulto sedentário de peso normal, poderia causar um aumento de peso de 14 a 20 kg", ilustra o professor Pierre Escourrou, chefe do Laboratório do sono no Hospital Antoine-Béclère.

 

Noites mais curtas

Uma dívida de sono também levará à resistência contra a insulina e aumentar o risco de diabetes de tipo 2 independentemente de um eventual aumento de peso. Dados bastante alarmantes, mas como recorda o professor Xavier Drouot, chefe do centro do sono do Hospital Universitário de Poitiers: "As mudanças metabólicas e os marcadores de riscos aparecem realmente de modo muito rápido. Mas para desregular o organismo, vários meses são necessários."

Em suma, algumas noites muito curtas não tornarão ninguém diabético ou cardíaco. O que é perigoso é a falta crônica de sono. Um conceito que inclui realidades bem diferentes: perante Morfeu, não somos iguais "Existe uma grande variação individual: uns dormem poucos, outros dormem muito, uns madrugam outros dormem tarde…", diz o especialista.

Para alguns, noites de sete horas são amplamente suficientes, para outros, nove horas serão necessárias e para outros ainda, dormir tarde, mas ter que levantar cedo significa estar em um jet lag constante… É melhor conhecer bem a si próprio. "De modo geral, se o despertador é necessário para acordar ou se você dorme mais no fim de semana, é que você não atingiu a sua cota", explica Karine Spiegel.

No entanto, as noites estão cada vez mais curtas para um grande número de pessoas, sobretudo as que vivem nas grandes cidades. Atividades profissionais, sociais e familiares, o tempo nos transportes e a proliferação de telas de computador e smartphone nos mantêm acordados… Os motivos são múltiplos: "nos países desenvolvidos, 35 % dos moradores dormem menos de 7 horas e 25 % menos de 6 horas, de acordo com pesquisas realizadas pelo Institut national de veille et de la vigilance" (Agencia Sanitária Francesa), diz o professor Damien Léger, presidente do Instituto.

Para recuperar alguns minutos preciosos de sono, por que não sucumbir ao prazer de uma siesta? Tirar uma soneca de trinta minutos durante o dia faz com que seja possível neutralizar os mecanismos do "estresse endócrino", gerado pela falta de sono, como mostrou um estudo realizado este ano pela equipe do centro de sono do Hôtel-Dieu, na França.

 

Fonte: Le Figaro

Dr. Evilásio Farias da Policlínica Taboão      

Em Taboão da Serra - SP